quarta-feira, 26 de abril de 2017

Por uma história da arte: crítica, estética e política


O Centro de Pesquisa e Formação do Sesc realiza, de 10 de maio a 28 de junho, um ciclo de palestras dedicado à análise da trajetória intelectual, conceitos e obras fundamentais de diferentes pensadores que se debruçaram sobre o universo da obra de arte. Por uma história da arte: crítica, estética e política tem por objetivo proporcionar a reflexão e debate sobre as distintas formulações teóricas e analíticas produzidas sobre o campo da história da arte.
 

Programação:


10/5 - Walter Benjamin e a crítica da modernidade
A palestra aborda o pensamento do filósofo alemão Walter Benjamin a partir de suas ideias sobre a modernidade, a fim de explicitar como crítica de arte e crítica da modernidade, no seu caso, são inseparáveis.

 

Com Taisa Palhares, doutora em Filosofia pela USP e professora do IFCH Unicamp.

17/5 - Desdobramentos da antropologia das imagens.
A conferência realizada por Hans Belting em 1983 sobre o "fim da história da arte" propõe a polêmica tese de que a disciplina não trata de um objeto real, mas de uma narrativa construída a partir do século XVIII, que atinge o clímax na pretensão de universalidade do modernismo do século XX. Qual seria então o objeto por trás daquilo que chamamos de "arte"? Estas questões tornam-se centrais para o campo das artes e exigem explicações antropológicas buscadas por Belting que serão objetos de reflexão neste encontro.

 

Com José Bento Ferreira, doutorando em Estética e História da Arte pela USP.

24/5 - Rosalind Krauss: o redimensionamento da linguagem na arte contemporânea.
A palestra se concentrará sobre dois giros teóricos fundamentais de Rosalind Krauss para o debate da arte contemporânea, abordando a noção de índice, que a autora vai construindo ao observar o uso da fotografia na arte desde o começo do século XX, e trazendo à tona a profunda crítica feita por Krauss à predominância da noção de "meio" como paradigma central para se pensar a arte moderna.


Com Carlos Eduardo Riccioppo, crítico de arte e professor da USP.

31/5 - Aproximações entre arte e arquitetura moderna na obra de Giulio Carlo Argan.
Para além da abordagem sempre objetiva acerca de diversos aspectos da arte ocidental, Argan é um dos poucos autores que souberam apontar para a relação indissociável entre arte e arquitetura moderna, como elementos integrantes de uma espacialidade extensível, porém disciplinada pelo sentido ordenador do projeto.
Com Rodrigo Queiroz, professor livre-docente da FAU e MAC USP.

7/6 - Panofsky: erudição na busca do significado. 
Principal formulador do método iconológico, Erwin Panofsky é um dos autores mais discutidos pela historiografia da arte. Um de seus trabalhos de maior destaque foi "A perspectiva como forma simbólica". Esta obra e "O significado nas artes visuais", serão os objetos principais deste encontro.

 

Com Valeria Piccoli, doutora em Arquitetura e Urbanismo pela FAU USP. É curadora chefe da Pinacoteca do Estado de São Paulo.

14/6 - Jacques Rancière: relações entre a política e a estética.
Partindo da trajetória intelectual do filósofo Jacques Rancière, o encontro busca compreender as articulações entre estética e política desenvolvidas dentro de seu pensamento. 


Com Thais Rivitti, crítica de arte, curadora e gestora cultural. Dirige o espaço de arte independente Ateliê397.

21/6 - O poder de Pigmalião: porque Arte e Ilusão, de Ernst Gombrich, é um livro fundamental.
Ernst Gombrich é um dos mais populares historiadores da arte no Brasil. Seu manual A História da Arte é o único livro de história geral da arte publicado no Brasil a contar com uma edição de bolso. Um dos seus livros fundamentais, Arte e Ilusão, teve impacto para os desdobramentos da história da arte como uma ciência da imagem. No atual contexto em que a imagem e seu poder de ilusão voltam ao centro dos debates artísticos, seu livro se reinveste de atualidade, o que será objeto de discussão neste encontro.


Com Rodrigo Andrade, artista plástico, integrou o grupo Casa 7 e participou da 29ª Bienal em 2010.

28/6 - Aby Warburg e a história da arte atual.
Aby Warburg foi um dos principais pensadores do século passado. O teórico de grande erudição traçava o caminho percorrido por fontes visuais da antiguidade pagã até a obra de artistas como Botticelli e Dürer. A palestra levanta as razões para o interesse renovado em sua obra.

 

Com Fernanda Pitta, doutora em Artes Visuais pela ECA-USP. É curadora na Pinacoteca de São Paulo e professora da Escola da Cidade.



 

 

Por uma história da arte: crítica, estética e política
De 10 de maio a 28 de junho de 2017, quartas, das 19h às 21h.
Recomendação etária: 16 anos. Número de vagas: 30.

R$ 60,00 (inteira); R$ 30,00 (aposentado, pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e professor da rede pública);  R$ 18,00 (trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo credenciado no Sesc e dependentes).

Tradução em Libras disponível. Faça sua solicitação com no mínimo dois dias de antecedência da atividade através do e-mail centrodepesquisaeformacao@sescsp.org.br.

Informações e inscrições pelo site (sescsp.org.br/cpf) ou nas unidades do Sesc no Estado de São Paulo.

 

Centro de Pesquisa e Formação do Sesc

Rua Dr. Plínio Barreto, 285 – 4º andar.

Horário de funcionamento: de segunda a sexta, das 10h às 22h. Sábados, das 9h30 18h30.

Tel: 3254-5600

A influência da Revolução Russa na trajetória de um metalúrgico negro

 
Conferência CEDEM - 10/05/2017 – 4º feira – 18h30

 

O brasilianista John French, da Duke University (EUA), resgatará questões sociais e políticas do país surgidas durante o século XX, a partir do itinerário do metalúrgico Eloy Martins (1911-2005), neto de escravos africanos, nascido no Estado do Rio Grande do Sul. Desde cedo Martins identificou-se com o movimento revolucionário brasileiro, cujo impulso foi muito influenciado pela Revolução Russa de 1917. Em 1928 ingressou no Bloco Operário e Camponês (BOC) e, em 1933, no Partido Comunista do Brasil (PCB).

Martins militou entre os operários do Sul. Atravessou as ditaduras do Estado Novo (1937 – 1945) e a Militar (1964 – 1985). Viveu na clandestinidade. Foi preso em 1971, em São Paulo, na região do ABC, aos 60 anos de idade. Foi torturado e permaneceu encarcerado até 1973. “Sua vida ilumina a influência exercida pela Revolução Russa nos movimentos de esquerda do Brasil”, assinala French, que considera o evento de 1917 um ícone da modernidade global do qual se originou o mais ambicioso movimento político internacional.

Conferencista:
Prof. Dr. John French –
Professor do Departamento de História da Duke University (EUA). Historiador da América Latina contemporânea, especializado em Brasil. Em 2004 publicou a obra Drowning in Laws: Labor Law and Brazilian Political Culture, na qual examina as origens da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e o papel que desempenhou na formação cultural e política da classe trabalhadora brasileira. Ultimamente vem realizando estudos, inclusive no CEDEM, para a elaboração do livro A astúcia política de Lula: do sindicalismo à presidência no Brasil. O trabalho ocorre no âmbito de um projeto de pesquisa internacional, co-organizado por French, sobre a possibilidade de aprofundar a democracia e combater as desigualdades. < span style="color:black;background:white"> 

Apresentação:
Profa. Dra. Sonia Troitiño – Coordenadora do CEDEM. É professora da Faculdade de Filosofia e Ciências da Unesp, Câmpus de Marília.

Debate Cedem
A influência da Revolução Russa na trajetória de um metalúrgico negro
Data e horário: 10/05/2017, 4ª feira às 18h30;
Local: Praça da Sé, 108 – 1º andar (metrô Sé);
Informações: (11) 3116–1701
Inscrições gratuitas: http://www.cedem.unesp.br/#!/evento1
E-mail: 
eventos@cedem.unesp.br
www.cedem.unesp.br

https://www.facebook.com/Cedem_unesp_oficial-718842781598083

*Certificado de participação será retirado no dia do evento

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Pesquisas da UFSCar avaliam as condições dos mananciais que fornecem água para São Carlos e região

Ribeirão Feijão tem parte de suas nascentes em São Carlos. Foto: Escola da Floresta (reprodução)
 

Estudos apontam que uso inadequado dos mananciais pode comprometer o fornecimento de água no futuro

Desde 1993, pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto Internacional de Ecologia (IIE) desenvolvem estudos relacionados aos mananciais de água que abastecem São Carlos e municípios vizinhos. Por exemplo, há pesquisas cujo o objetivo é a preservação dos recursos hídricos do principal manancial de São Carlos e da região que são as bacias do Ribeirão Feijão e Itaqueri (Broa). Uma parcela dessas pesquisas são conduzidas por Francisco Antonio Dupas, docente do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais (PPGCam) da UFSCar e da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), em Minas Gerais.

De acordo com o pesquisador, historicamente, o homem sempre se fixou perto de fontes de água por questões estratégicas de uso desse recurso natural. No entanto, esses recursos são finitos e recebem até hoje todo o tipo de esgotamento sanitário urbano e da agricultura, além de sofrer com o desmatamento das regiões ribeirinhas e matas ciliares. "Tudo o que lançamos no solo e na superfície dos rios também contamina as águas subterrâneas de aquíferos de onde o homem já extrai muita água. Só que essa água, além de já estar parcialmente contaminada, está em processo de drástica redução de nível, ou seja, está sendo usada em excesso", afirma o docente. Para Dupas, a reserva subterrânea de água tem que ser poupada para situações emergenciais e o uso dos maiores volumes deveria ser da água superficial que é mais abundante e de mais fácil reposição.

A bacia hidrográfica do Ribeirão Feijão tem parte de suas nascentes em São Carlos, possui 230 km² e integra a bacia do rio Jacaré-Guaçu. Regionalmente, o Ribeirão também contempla os municípios de Analândia, Brotas e Itirapina, locais onde seu uso não é apenas como manancial, mas também para o lazer. A produção de água para São Carlos conta com a participação desses municípios e, neste contexto, tem destaque o Rio Itaqueri (Broa) que é um potencial fornecedor. A cidade também utiliza água do Rio Monjolinho, mas Dupas faz um alerta importante: "São Carlos praticamente já urbanizou o Monjolinho e logo ele não estará mais apto para o abastecimento devido à qualidade da água que será muito ruim".  

O pesquisador da UFSCar afirma que, estrategicamente, o Ribeirão Feijão tem muita importância local pela disponibilidade de água de superfície e como zona de recarga (região por onde um aquífero é recarregado ou recebe a infiltração da água de superfície). "No entanto, apesar de leis claras que favorecem a manutenção da qualidade e da quantidade de água do Ribeirão Feijão, persiste um embate entre interesses econômicos que ampliam a sua degradação, resultando na tentativa de reduzir parâmetros ambientais que garantem a disponibilidade de água atual e para o futuro", destaca o docente. Dupas explica que, assim como os rios urbanos de São Carlos, o Feijão está caminhando para a degradação e, que sem ele, o fornecimento de água ficará comprometido. "Sem o Feijão, as opções de água na região estarão restritas ao aquífero subterrâneo que tem um tempo de vida limitado devido ao rebaixamento, como pode ser constatado em poços mais antigos da cidade. A situação a curto prazo ainda é confortável, mas a longo prazo não é. Devemos pensar a longo prazo preservando o que temos de bom e barato, deixando a reserva de água subterrânea para o futuro", defende o pesquisador. 

Ele acredita que o Poder Executivo municipal deve se valer de informações e dados científicos para tomar decisões que permitam o crescimento da cidade, mas garantam a qualidade e quantidade de água para o fornecimento do município. "Implantar loteamentos e indústrias em áreas de recarga do aquífero e de água superficial, por exemplo, contamina a própria água necessária para o consumo dessa população. A contaminação superficial e subterrânea eleva em até 300 vezes os gastos para o tratamento da água, sem a garantia da qualidade em relação à presença de hormônios, metais pesados e agroquímicos", garante o docente, acrescentando que é preciso informar a população sobre os reais problemas de conservação e uso da água do Ribeirão Feijão, a fim de conscientizá-la para ações de preservação desse importante manancial de São Carlos e região. 

As conquistas de maior destaque durante esses anos de pesquisa em prol da preservação dos recursos hídricos locais foram a inclusão do Ribeirão Feijão e do Monjolinho como mananciais urbanos no Plano Diretor de São Carlos em 2005, a legislação das Áreas de Proteção e Recuperação dos Mananciais (Aprem) do Município; e na revisão do Plano Diretor de São Carlos, realizada em 2016, os rios foram mantidos como áreas de proteção. Os estudos que amparam essas decisões foram realizados com recursos financeiros da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

De acordo com o pesquisador, a proposta agora é implantar o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) e o Pagamento por Serviços Ecossistêmicos (PSE) - que consistem na transferência de recursos (monetários ou outros) a quem ajuda a manter a preservação ambiental. "Fizemos estudos em todas as camadas sociais e bairros da cidade e verificamos que a população urbana está disposta a contribuir com a recuperação do manancial. Estamos propondo que essa contribuição seja feita por meio da conta de água e esse dinheiro será repassado, via Saae [Serviço Autônomo de Água e Esgoto São Carlos], aos proprietários das terras diretamente ou ao Comitê de Bacias. Assim, o proprietário de terras passa a receber para proteger e recuperar a bacia hidrográfica, promovendo atividades de baixo impacto ambiental", detalha o professor.

Dupas afirma que já está em fase final a elaboração de um projeto de lei para viabilizar a implantação do PSA. Em relação à pesquisa, "os nossos próximos passos são definir os valores financeiros para cada proprietário que venha  a participar do projeto de recuperação via PSA, e a construção de um projeto piloto, junto com o Comitê de Bacias, para a recuperação de áreas degradadas em propriedades particulares", aponta Francisco Dupas. "Nosso grande desafio é enfrentar um problema que se estende por todo o País, que é o descaso com o planejamento das cidades, privilegiando o interesse econômico por meio da especulação imobiliária. Apesar dos problemas enfrentados, acredito e sou otimista que a comunidade será esclarecida da importância do Ribeirão Feijão e que os poderes executivos de São Carlos e região farão o melhor para a população, pensando, principalmente, no futuro das nossas próximas gerações", conclui o docente.

terça-feira, 4 de abril de 2017

UFSCar capacita profissionais na área de Sociologia da Infância

 
Inscrições em curso de especialização vão até 10 de abril

Pesquisadores estudam crianças como produtores de conhecimento. Foto: FAI.UFSCar

Durante muitos anos, as crianças foram vistas como incapazes de influenciar a sociedade a partir do seu modo de agir. Apenas a situação inversa, ou seja, a sociedade influenciando a infância, era levada em conta. Hoje em dia, essa análise mudou e a Sociologia da Infância é o campo da ciência que avança cada vez mais na busca pela compreensão do mundo pela perspectiva da criança. Neste sentido, pesquisadores têm estudado as crianças como produtoras de conhecimento.

Porém, apesar de vários cientistas brasileiros já atuarem nessa área, há uma única pós-graduação que subsidia a formação inicial, continuada e específica de profissionais da Sociologia, da Educação e da Saúde neste sentido. Trata-se do curso de especialização em Sociologia da Infância oferecido pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), instituição na qual este campo do conhecimento se consolidou no Brasil.

"Conseguimos produzir algo inédito e estamos começando a dizer quem são as crianças brasileiras e do mundo", relata a professora Anete Abramowicz, do Departamento de Teorias e Práticas Pedagógicas (DTPP) da UFSCar e coordenadora do curso. "É um conhecimento que parece simples, mas não é. Sabe-se muito pouco sobre as crianças do ponto de vista delas. Precisamos formar profissionais que tenham capacidade teórica e metodológica para ouvir as crianças e fazer com que essas falas possam ecoar na sociedade", defende a especialista.

O curso aborda a maneira pela qual as crianças do século XXI se relacionam e brincam com as novas tecnologias produzidas pela indústria do entretenimento, ao mesmo tempo em que trabalha temas clássicos, como mortalidade e trabalho infantil. A questão racial na infância também é tratada com base em indicadores sociais, buscando responder a perguntas como o que é ser negro no Brasil e como as crianças são subjetivadas a partir de sua raça.

As crianças indígenas, o estudo de bebês, a história da infância, corpo e sexualidade também compõem a grade curricular da especialização, que tem uma carga horária total de 360 horas. As aulas ocorrem quinzenalmente, aos sábados, com docentes da própria UFSCar, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal Fluminense (UFF).

O curso de especialização em Sociologia da Infância da UFSCar recebe inscrições para sua segunda turma até o dia 10 de abril, por meio do site www.socioinfancia2017.faiufscar.com. Profissionais de qualquer área podem participar desde que já sejam graduados. A gestão administrativa e financeira do curso é da FAI.UFSCar (Fundação de Apoio Institucional ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico da Universidade Federal de São Carlos).

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Aplicativo auxilia alunos da UFScar a organizarem a rotina de estudos

 
Aplicativo UFSCar PLanner é voltado a alunos de graduação da UFSCar. Foto: Divulgação.


Projeto foi desenvolvido entre a Universidade e a Tokenlab, empresa criada por ex-estudantes

A partir deste primeiro semestre letivo de 2017, os alunos da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) podem fazer uso de uma importante ferramenta tecnológica para organizar sua rotina na Universidade: o aplicativo UFSCar Planner. Desenvolvido em parceria entre o Laboratório de Inovação em Computação e Engenharia (Lince) da UFSCar e a Tokenlab, empresa criada por ex-estudantes da Instituição, o objetivo específico é prover funcionalidades que possam contribuir com a vida dos alunos de graduação da UFSCar, principalmente no planejamento de suas atividades semanais.

O Lince, coordenado por Cesar Augusto Camillo Teixeira, docente do Departamento de Computação (DC), tem como princípio promover a sinergia entre o trabalho acadêmico e a inovação tecnológica. Entre as estratégias adotadas pelo Laboratório está o estímulo ao empreendedorismo entre os estudantes. Nesse sentido, "em 2016, a Tokenlab nos propôs uma parceria universidade-empresa visando, principalmente, à formação de pessoal e ao desenvolvimento conjunto de atividades de caráter social. Com a colaboração e o aval da Secretaria Geral de Informática (SIn) da UFSCar, que se dispôs a liberar dados importantes para alimentar o aplicativo, decidimos envolver estudantes no desenvolvimento de uma ferramenta que pudesse contribuir com informações básicas aos alunos de graduação. Daí surgiu o app UFSCar Planner", relata Teixeira, que ficou responsável pela coordenação operacional do projeto. Para Tiago Caminha Gaspar, CEO da Tokenlab, na prática, o trabalho conjunto "é uma forma de retribuir para a universidade e sociedade o apoio que tivemos na nossa formação como alunos".

O aplicativo oferece os seguintes serviços: acesso ao deferimento do graduando, com visualização simples de um plano com seu horário de aulas, atividades e identificação do local em que serão realizadas; facilidade para incluir outras atividades em seu plano semanal, além das oficialmente providas pelo Sistema Integrado de Gestão Acadêmica (Siga-UFSCar); cardápio do restaurante universitário, com notificações automáticas; mapa de localização de unidades e setores da UFSCar; e acesso para ouvir a Rádio UFSCar. 

Para Guilherme Bublitz Soares, aluno do curso de Engenharia Civil e usuário do UFSCar Planner, o aplicativo é muito bom e útil. "Adorei a novidade de 'puxar' a grade do Siga", destaca o estudante. 

Segundo Teixeira, diversos outros serviços podem ser integrados futuramente no aplicativo: acompanhamento imediato de faltas; comunicação instantânea com docentes, grupos de trabalho, Divisão de Gestão e Registro Acadêmico (DiGRA) e com outros setores da UFSCar; consulta a notas parciais ou finais; consultas à Biblioteca Comunitária; integração com redes sociais etc. Outra ideia é construir também versões específicas para professores, técnico-administrativos e alunos de pós-graduação, além de versões para outros sistemas operacionais, já que atualmente ele pode ser acessado somente no Android.

O projeto teve a participação de seis alunos da Engenharia de Computação e Ciência da Computação da UFSCar, que receberam orientações técnicas semanais de diversos profissionais da TokenLab. Uma designer da TokenLab contribuiu com os trabalhos de interação e interface gráfica. "Todos iniciamos o projeto sem qualquer conhecimento em desenvolvimento para dispositivos móveis. Tínhamos como bagagem apenas conceitos básicos da computação e conhecimento de programação. A dificuldade foi grande. Tivemos que conciliar a graduação ao aprendizado do uso prático de métodos ágeis para o desenvolvimento e a criação de funcionalidades para o aplicativo e, neste ponto, tivemos muita ajuda da empresa Tokenlab", afirmou Ruan Willer, aluno do curso de Ciência da Computação. Além dele, também integraram o projeto os discentes Ana Lucia Cardoso, Carlos Augusto Santo Andréa Junior, Daniel William de Souza Cunha, Felipe José Bento e Mateus Barros. "Os alunos que trabalharam no projeto ajudaram a conceber, desenvolver e lançar o produto. Eles estão de parabéns pelo resultado e pela dedicação", descreveu Gaspar, da Tokenlab, que vê boas perspectivas quanto ao futuro da parceria com o Laboratório da UFSCar. "A nossa visão é aproveitar o talento dos alunos, combinado com a estrutura e know-how do laboratório Lince, apoiado pela Tokenlab, para gerar iniciativas concretas", conclui.
O link para o aplicativo está disponível em www.ufscar.br.

Autora de novelas, séries e filmes ministra aula em curso da UFSCar

Rosane Svartman esteve na UFSCar. (Foto: Divulgação / TV Globo)


Pós-graduação em Produção de Conteúdo Audiovisual para Multiplataformas recebe inscrições até 29 de abril

Aula de Rosane aconteceu no dia 25 de março, sábado. (Foto: Divulgação / EAM)
Quando você assiste a um filme no celular, isso ainda é cinema? Ou cinema é só na sala escura com tela grande? Se você assiste a Game of Thrones no computador, aquele produto ainda é uma série de televisão? Hoje em dia, cada vez mais, as tecnologias se misturam e as "telas" se confundem. Vivemos uma era em que as mídias estão em todos os lugares e as pessoas estão conectadas em tempo integral. As narrativas se relacionam em diferentes plataformas e os espectadores da atualidade transitam entre sites, redes socais, dispositivos móveis, como tablets e smartphones, além da tradicional televisão, dentre outros meios, nos quais cada um pode ver o que quer, quando quiser e quantas vezes desejar.

Para Rosane Svartman, autora de duas temporadas de Malhação e da novela Totalmente Demais, exibidas pela Rede Globo de Televisão, um projeto audiovisual hoje em dia deve ser pensado para acontecer em diversas plataformas. "Nós estamos descobrindo novas formas de contar histórias, de se comunicar e realizar ideias", explica. A cineasta esteve na UFSCar para ministrar uma aula aos alunos do curso de especialização em Produção de Conteúdo Audiovisual para Multiplataformas (EAM).


Svartman inovou na TV aberta. Antes do lançamento oficial, Totalmente Demais teve um "capítulo zero" com 15 minutos de duração apresentando a trama e divulgado pela plataforma online Globo Play. A novela contou com um spin off (história derivada) nomeado Totalmente Sem Noção Demais, também lançado na Internet, com dez episódios. Contadora de histórias nata, ela já concorreu a prêmios por projetos transmídia e está rodando seu quinto longa metragem - Pluft, em 3D, uma adaptação da peça teatral infantil de Maria Clara Machado, escrita em 1955. "Gravamos uma primeira parte em dezembro e a segunda será realizada em julho", adianta a roteirista.


Apesar das 3005 salas de cinema espalhadas pelo País e da alta penetração da televisão, a população que consome produtos multiplataforma cresce de maneira contundente e significativa no Brasil. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 97% dos brasileiros tem uma televisão em casa, enquanto 102 milhões têm acesso à Internet e a usam diariamente por cerca de cinco horas e meia. Outros dados do País mostram que 94,3 milhões desses usuários consomem produtos multiplataforma, de acordo com a ComScore, empresa de pesquisa de mercado especializada em Internet. Com uma média de mais de um celular por pessoa no Brasil, em apenas um minuto mais de 6 milhões de vídeos são visualizados.


Na aula ministrada na UFSCar, Svartman abordou conceitos de pesquisa, estrutura, sinopse, argumento, justificativa, roteiro, personagens, escaletas, cenas e sequências, assim como diálogos, ganchos, arco narrativo e episódios, defendendo que os profissionais do audiovisual devem transitar entre as diferentes telas. "Antigamente se discutia transmídia de forma isolada, hoje em dia já se aborda o projeto como um todo", ressaltou na ocasião.


Diferente de outros autores conhecidos, Rosane Svartman está inserida no mundo acadêmico. Foi a segunda vez que ela, que também já escreveu e dirigiu filmes, peças de teatro, séries, webséries, reality shows, jogos de realidade alternativa, documentários, programas de auditório, musicais e humorísticos, como o Casseta e Planeta, além de ter fundado a Escola de Cinema do Nós do Morro, grupo localizado na Favela do Vidigal, no Rio de Janeiro, ministrou uma aula no curso de pós-graduação da UFSCar. "A Universidade também é uma oportunidade de trazer um pouco da minha experiência para dentro da sala de aula e debater. Gosto muito de refletir sobre o que eu estou produzindo e o que estou vendo. Isso é muito enriquecedor", afirma ela.


Durante seu mestrado foi que Svartman começou a pesquisar modelos de negócios de projetos multiplataforma e transmídia. Para a roteirista, não basta ter uma ideia genial, é preciso buscar caminhos para a realização. O Fundo Setorial do Audiovisual tem sido uma grande fonte de recursos. "A Internet ainda não paga um produto audiovisual, então quando se pensa num projeto multiplataforma é preciso saber de onde vem o dinheiro. O mercado está em um bom momento para investir neste sentido", explica.


Sobre sua aula no curso de especialização da UFSCar, a roteirista afirma que além de um processo de ensino-aprendizagem é uma oportunidade para dialogar. "Os alunos também são produtores, alguns muito experientes, e há pessoas que vivem experiências que eu ainda não vivi e é muito legal essa troca. Além disso, quando eu preparo uma aula é uma forma de estudar sobre o que eu estou fazendo", ressalta. Para as aulas, ela costuma indicar vasta literatura aos alunos do curso, que ela mesma utiliza para nortear seus trabalhos.


Com uma abordagem multidisciplinar e um corpo docente diversificado composto por especialistas da UFSCar, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP), da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), da Universidade Anhembi Morumbi e de outras universidades, o curso é voltado a profissionais da Comunicação - televisão, cinema, marketing, publicidade, design etc. - e demais interessados no estudo das relações entre franquias de mídia, processos comunicacionais e conteúdos em rede. Durante o curso, os estudantes têm acesso a disciplinas relacionadas à transmídia, vídeos sob demanda, projetos multiplataformas e empreendedorismo e inovação audiovisual. O único pré-requisito é ser graduado.


As aulas são realizadas quinzenalmente, aos sábados, no Campus São Carlos da UFSCar. As inscrições podem ser feitas pela Internet, em www.geminisufscar.com.br/especializacao, site no qual há outras informações. O curso está vinculado ao Grupo de Estudos sobre Mídias Interativas em Imagem e Som (GEMInIS) do Programa de Pós-Graduação em Imagem e Som (PPGIS) da UFSCar. Dúvidas podem ser esclarecidas pelo e-mail especializacao.multiplataforma@gmail.com.

    sexta-feira, 24 de março de 2017

    Mobilização chama atenção para a conscientização do autismo


    Os atos acontecem nos dias 2 e 3 de abril, na avenida Paulista,

    e na Assembléia Legislativa; Somente em São Paulo há 75 mil pessoas

    com autismo, a maioria sem o atendimento


    Para celebrar o dia Mundial da Conscientização do Autismo, que acontece dia 2 de abril, a Associação de Amigos do Autista (AMA) fará uma mobilização visando conscientizar sobre os desafios de instituições e familiares que lidam com o autismo. A ideia é articular políticas públicas que ajudem a garantir a cidadania de todos os portadores da condição no país.

    O movimento está sendo organizado por diversas instituições e conta com a participação de familiares e profissionais que querem transformar a realidade de quem tem autismo. O objetivo é atingir a sociedade e as autoridades com a mobilização.

    O ato acontecerá em duas datas: dia 2 de abril, às 14h, no Parque Mário Covas, localizado na Avenida Paulista, 1853; e dia 3 de abril, das 9h às 12h, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, localizada na Avenida Pedro Álvares Cabral, 201. Neste segundo dia, o ponto de encontro será o Auditório Paulo Kobayashi.

    Entre as instituições participantes estão o Centro Lumi, Instituto Inspirare, TEA Apoio, Associação de Pais, Amigos e Pessoas com Deficiência de Funcionários do Banco do Brasil e Comunidade (APABB), Núcleo Convívio, Autismo Projeto Integrar, Nap Edelweiss, entre outras.

    A mobilização, que acontece desde 2008, vai para as ruas justamente para chamar a atenção do público em geral e impulsionar o comprometimento das autoridades para maiores investimentos nos setores educacionais, assistenciais e terapêuticos.

    Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o autismo, ou Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), afeta uma em cada 160 pessoas, sendo que algumas delas precisarão de apoio e supervisão para a vida toda.

    Somente na cidade de São Paulo, há 75 mil pessoas com autismo, a maioria sem o atendimento de que precisam.

    Fundada por um grupo de pais em 1983, a AMA foi a primeira associação de autismo do Brasil.

    A entidade oferece atendimento especializado, diário e totalmente gratuito a mais de 300 crianças, jovens e adultos que possuem a condição. Além disso, oferece palestras e serviços gratuitos a profissionais e familiares sobre o tema.

    SERVIÇO

    Mobilização pela conscientização sobre os desafios dos portadores de Autismo

    Dias, locais e horários: 2 de abril, às 14h, no Parque Mário Covas, Avenida Paulista, 1853; e 3 de abril, das 9h às 12h, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, localizada na Avenida Pedro Álvares Cabral, 201 - Auditório Paulo Kobayashi

    Informações:

    Associação de Amigos do Autista (AMA)

    Presidente Maria de Fátima da Silva Souza

    Tels. (11) 3277-6307 / 98336-4702

    @Email: fatimasouza@ama.org.br

    www.ama.org.br