segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Mostra inédita do aclamado cineasta Todd Haynes traz mais de 20 títulos no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo

Diretor é reconhecido por seu trabalho no cinema independente e pioneiro do movimento New Queer Cinema

 
Carol (2015) / Divulgação
 
De 21/01 a 12/02 | Entrada Gratuita

O Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo recebe, de 21 de janeiro a 12 de fevereiro, a mostra inédita do aclamado cineasta Todd Haynes, pioneiro do movimento New Queer Cinema e reconhecido por seu trabalho no cinema independente contemporâneo, com entrada gratuita.
 
Com a curadoria de Carol Almeida e Camila Macedo, a mostra traz um total de 23 títulos, entre obras dirigidas por Haynes e filmes de outros realizadores que dialogam diretamente com sua filmografia. “Pensamos na retrospectiva a partir de três vibrações que atravessam toda a filmografia de Haynes: a herança vanguardista do New Queer Cinema, o diálogo entre diferentes linguagens artísticas e o melodrama como forma de expor as contradições da vida doméstica e social”, comentam as curadoras.
 
Reconhecido internacionalmente, Todd Haynes acumula importantes prêmios e indicações ao longo da carreira. O longa Carol​ (2015), seu maior sucesso comercial e seu filme mais distribuído ao redor do mundo, além de grande sucesso de crítica, foi indicado a seis Oscars e por Longe do ​Paraíso (2002), o diretor foi indicado ao Oscar de Melhor Roteiro, além de prêmios como o Grande Prêmio do Júri no Festival de Sundance (1991), o Teddy Award no Festival de Berlim (1991), o Grande Prêmio do Júri no Festival de Veneza (2007) e a Palma Queer no Festival de Cannes (2015). Além disso, três de seus filmes foram incluídos na tradicional lista dos dez melhores do ano da revista Cahiers du CinémaVelvet Goldmine (1998), Carol (2016) e Segredos de um escândalo (2024).
A obra de Haynes é marcada por uma leitura crítica do chamado “sonho americano”, explorando temas como sexualidadeidentidade de gênero e as normas sociais que estruturam a vida privada. O cineasta também investiga a construção da identidade artística e cultural em retratos de figuras icônicas, como David Bowie em Velvet Goldmine (1998) e Bob Dylan em Não estou lá (2007).
Além dos títulos citados acima, a programação apresenta também os filmes Veneno (1991), Mal do século (1995) e o documentário The Velvet Underground (2021), assinados por Haynes, e obras de outros cineastas como Uma Mulher Sob Influência, de John CassavetesDesencanto, de David Lean, Tudo que o Céu Permite, de Douglas Sirk, Canção de Amor, de Jean Genet, Peggy e Fred no Inferno: o Prólogo, de Leslie Thornton, Jollies, de Sadie Benning, Jeanne Dielman, de Chantal Akerman, Vento Seco, de Daniel Nolasco , e Primavera, de Fábio Ramalho, que estabelecem paralelos estéticos e conceituais com o trabalho de Todd Haynes.
sessão de abertura acontece no dia 21/01, quarta-feira, às 17h, com a exibição do filme Longe do Paraíso", de Todd Haynes, com Julianne Moore, Dennis Quaid, Dennis Haysbert, Viola Davis e grande elenco. Na trama, Cathy (Moore), uma dona de casa com vida aparentemente perfeita descobre que seu marido Frank (Quaid) mantém um relacionamento com outro homem. Abalada, ela se aproxima de Raymond, um jardineiro negro, gerando preconceito e desconfiança na comunidade. Enquanto Cathy e Frank mantêm o casamento por aparência, nasce entre ela e Raymond uma paixão silenciosa e proibida. Após a exibição, a sessão será comentada pelo cineasta Marcelo Caetano.
 
Além das exibições, a mostra conta com atividades formativas com seis sessões comentadas, duas mesas de debate, entre eles sobre o legado de Todd Haynes para os novíssimos cinemas queer, sessão educativa, um curso de oito horas com o tema "Uma leitura da in/visibilidade lésbica a partir de 'Carol', de Todd Haynes" e ações de acessibilidade. Como parte do projeto, será lançado um catálogo em versões impressa e digital, reunindo textos de pesquisadores brasileiros e estrangeiros, entre eles, um texto inédito de uma das maiores referências da crítica de cinema feminista, a pesquisadora Mary Ann Doane. Para retirar o catálogo, basta apresentar os ingressos de cinco sessões e informar o CPF na bilheteria do CCBB SP.
 
Ao realizar este projeto, o CCBB São Paulo apresenta ao público títulos raros e obras consagradas deste diretor que é considerado um dos nomes centrais do cinema independente contemporâneo, reafirmando seu compromisso com a democratização do acesso à arte.
 
Com patrocínio do Banco do Brasil, a “Mostra Todd Haynes” é uma produção da Caprisciana Produções, com a idealização, coordenação geral e produção executiva de Hans Spelzon e a curadoria de Carol Almeida e Camila Macedo. A programação está disponível em bb.com.br/cultura e no catálogo virtual, que poderá ser baixado gratuitamente durante o período do evento. A mostra acontece também no CCBB Rio de Janeiro, de 14/01 a 09/02 e no CCBB Brasília, de 03 a 22/03.
 
SERVIÇO
Mostra Todd Haynes
Local: Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo
Período: 21 de janeiro a 12 de fevereiro de 2026.
Entrada Gratuita: Ingressos disponíveis a partir das 9h, no dia de cada sessão, na bilheteria do CCBB e em bb.com.br/cultura.
Classificação indicativa: Consultar a classificação indicativa de cada sessão no site do CCBB SP
 
Endereço: Rua Álvares Penteado, 112 – Centro Histórico – SP 
Funcionamento: aberto todos os dias, das 9h às 20h, exceto às terças-feiras
Informações: (11) 4297-0600
Estacionamento: O CCBB possui estacionamento conveniado na Rua da Consolação, 228 (R$ 14 pelo período de 6 horas – necessário validar o ticket na bilheteria do CCBB). O traslado é gratuito para o trajeto de ida e volta ao estacionamento e funciona das 12h às 21h.
Transporte público: O CCBB fica a 5 minutos da estação São Bento do Metrô. Pesquise linhas de ônibus com embarque e desembarque nas Ruas Líbero Badaró e Boa Vista.
Táxi ou Aplicativo: Desembarque na Praça do Patriarca e siga a pé pela Rua da Quitanda até o CCBB (200 m).
Van: Ida e volta gratuita, saindo da Rua da Consolação, 228. No trajeto de volta, há também uma parada no metrô República. Das 12h às 21h

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Escola de verão da USP: meninas interessadas em tecnologia podem se inscrever durante evento online dia 10 de janeiro

 



Voltada a garotas de 8 a 18 anos, a Technovation Summer School for Girls é uma atividade gratuita e online, que acontecerá de 21 de fevereiro a 21 de abril

Meninas de 8 a 18 anos interessadas em tecnologia, inovação e empreendedorismo poderão participar da oitava edição da Technovation Summer School for Girls (TechSchool). As atividades online da escola de verão acontecerão de 21 de fevereiro a 21 de abril, e são promovidas pelo Grupo de Alunas de Ciências Exatas (GRACE) do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos.

Totalmente gratuita, a iniciativa tem como objetivo ensinar métodos inovadores e desenvolver competências para a conceitualização, o desenvolvimento e a comercialização de aplicativos móveis que ajudem a solucionar problemas da comunidade. Ao longo da formação, as participantes aprendem todas as etapas necessárias para criar seus próprios aplicativos para celular.

Ao final da escola de verão, a expectativa é de que os projetos desenvolvidos pelas alunas sejam apresentados no Technovation Girls, uma competição internacional que reúne iniciativas lideradas por meninas e jovens de diversos países.

As inscrições serão realizadas no dia 10 de janeiro, a partir das 14 horas, durante uma transmissão ao vivo no canal do GRACE no YouTube. Para participar do processo seletivo, as interessadas devem ter em mãos informações como o e-mail do Gmail, RG e CPF (se houver), além dos dados do responsável legal. Também será solicitado um vídeo de motivação, com até dois minutos de duração.

Segundo a organização, a seleção das participantes levará em conta a ordem de inscrição e a motivação apresentada nos vídeos enviados pelas candidatas. Outras informações sobre a escola de verão e o processo de inscrição podem ser encontradas nas redes sociais e no canal oficial do GRACE no YouTube.

Sobre a iniciativa – Promovida pelo ICMC, a iniciativa é coordenada pelas professoras Leo RibeiroLina Garcés e Kalinka Castelo Branco, por estudantes e egressas dos cursos de graduação e de pós-graduação do ICMC e por colaboradoras de universidades federais e da indústria que fazem parte do GRACE. Esse grupo de extensão está vinculado ao ICMC e tem como objetivo desenvolver atividades nas áreas de tecnologia e de ciências exatas voltadas ao público feminino.

Realizada desde 2018 pelo ICMC, a escola de verão já impactou diretamente mais de 800 meninas e, atualmente, integra um projeto mais amplo: a Rede de Ensino Brasileira para Engenharias e Ciências Exatas (REBECA), aprovada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

TechSchool tem um histórico de muitos resultados bem-sucedidos em edições anteriores. Em 2021, o aplicativo Diana, desenvolvido por participantes da escola, foi o grande campeão da América Latina. Já em 2025, o aplicativo Interpret recebeu o prêmio Latin America Regional Honorees, uma menção honrosa internacional.

Busca por voluntários – Como em todos os anos anteriores, a TechSchool também necessita de voluntários para contribuir com o desenvolvimento das jovens participantes. Para se tornar um mentor ou uma mentora, basta ser estudante de graduação ou de pós-graduação, profissional da área de educação ou trabalhar em áreas como tecnologia, engenharia, negócios, comunicação e empreendedorismo, por exemplo. A inscrição para a monitoria segue aberta até o dia 18 de janeiro, e a participação é altamente incentivada. Mais informações podem ser obtidas neste link: https://forms.gle/UKmTBQ36cRFRjHPz7. 




Texto: Diana Silva/Rede de Ensino Brasileira para Engenharias e Ciências Exatas
Sob supervisão de Denise Casatti/Assessoria de Comunicação do ICMC/USP

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

MAPAS AFETIVOS DE UM RIO DE JANEIRO AFRO-BRASILEIRO

 

O papel do matriarcado negro na consolidação do samba é tema do episódio “No Compasso de Tia Ciata”, 4/1, às 20h30, no SescTV. Foto: Lascene Produções.

Dirigida por Vanessa de A. Souza, a série documental O Rio que deságua na África apresenta novos episódios que aprofundam as conexões entre a capital fluminense e as matrizes africanas que estruturam sua história, cultura e modos de vida. Exibida aos sábados, às 20h30, pelo SescTV, a produção convida o público a percorrer territórios marcados pela presença negra, reunindo memória, arte, religiosidade, música e práticas comunitárias que afirmam identidades e resistem ao tempo.
 

Ao longo da temporada, a série desloca o olhar turístico convencional para propor um percurso sensível e crítico por espaços fundamentais da formação do Rio de Janeiro. Cada episódio articula passado e presente a partir de personagens que atuam na preservação da memória afro-brasileira, na valorização do patrimônio material e imaterial e na construção de formas sustentáveis de turismo cultural, baseadas no pertencimento, na escuta e no respeito aos territórios.
 

No episódio Jardim Suspenso do Valongo, a série revisita uma área central da cidade profundamente marcada pela história da escravidão. Guias, pesquisadores e artistas refletem sobre os processos de modernização urbana que promoveram o apagamento simbólico da memória negra, ao mesmo tempo em que apontam iniciativas contemporâneas de reparação histórica, ressignificando o espaço como lugar de memória, arte e resistência.
 

Em “Fé, Cultura e Natureza – Ilê da Oxum Apará”, o foco recai sobre um dos mais importantes terreiros do Rio de Janeiro, fundado em 1972, durante a ditadura militar. A partir de depoimentos de lideranças religiosas, intelectuais e militantes, o episódio revela o candomblé como prática espiritual, cultural e política, destacando o papel do afroturismo, da educação e da vivência afroecológica como caminhos para o enfrentamento do racismo religioso e a valorização das tradições de matriz africana.
 

A força do samba, da religiosidade e da vida cultural suburbana estrutura Batidas do Subúrbio: Madureira e Vila Isabel, episódio que percorre bairros importantes para a história musical do país. Entre mercados, escolas de samba, compositores, baluartes e pesquisadores, a narrativa revela o subúrbio como centro irradiador de cultura, memória e identidade negra, onde o samba se apresenta como linguagem coletiva, herança ancestral e forma de afirmação social.
 

Em “No Compasso de Tia Ciata, a série retorna à região da Pequena África para narrar a trajetória de uma das figuras mais emblemáticas da cultura afro-brasileira. A partir dos caminhos percorridos por Tia Ciata, o episódio evidencia o papel do matriarcado negro na consolidação do samba, na preservação das tradições religiosas e na organização comunitária, ressaltando a importância das mulheres negras como agentes de resistência, empreendedorismo e transmissão cultural entre gerações.
 

Com uma abordagem que articula pesquisa histórica, escuta atenta e presença nos territórios, O Rio que deságua na África reafirma o compromisso do SescTV com narrativas plurais e com a valorização da memória afro-brasileira no audiovisual. A série propõe ao espectador um encontro com histórias vivas do Rio de Janeiro e o Brasil, revelando a cidade como espaço de permanentes travessias entre África, ancestralidade e contemporaneidade.

 

SERVIÇO
 

O RIO QUE DESÁGUA NA ÁFRICA – 2ª TEMPORADA 
Série documental – 8 episódios
Direção: Vanessa de A. Souza
Duração: 26 minutos cada
Classificação indicativa: Livre
Exibição: sábados, às 20h30
Reapresentações: domingo, 10h30; segunda, 11h; terça, 14h30; quarta, 7h; sexta, 3h
 
Episódios de janeiro: 
03/01 – Jardim Suspenso do Valongo 
10/01 – Fé, Cultura e Natureza – Ilê da Oxum Apará 
17/01 – Batidas do Subúrbio: Madureira e Vila Isabel 
24/01 – No Compasso de Tia Ciata 
 
Para sintonizar o SescTV: consulte sua operadora ou acesse sesctv.org.br/noar.
Siga o SescTV nas redes: sesctv
 

Sob demanda: episódios disponíveis em sesctv.org.br e no app Sesc Digital, gratuito nas lojas Google Play e App Store.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Museu do Amanhã comemora 10 anos com entrada grátis e estreia de exposição


Oceano – O Mundo é Um Arquipélago estreia em 17 de dezembro, quarta-feira, compondo as celebrações de uma década de existência do museu mais visitado do Brasil

 

crédito: Albert Andrade

 

Rio de Janeiro, 15 de dezembro de 2025. Há dez anos, em 17 de dezembro de 2015, surgia em meio a uma Praça Mauá recém-reconstruída, aquela curiosa estrutura branca cujo formato até hoje inspira a imaginação de cariocas e turistas. Seria uma nave espacial? Um imenso jacaré de boca aberta? Não importa! Hoje, todos sabem que se trata de um museu que ao longo da última década se consolidou como uma referência mundial. Um museu que não se debruça sobre o passado, mas projeta futuros: o Museu do Amanhã. E, neste 17 de dezembro de 2025, abre suas portas para a cidade que o acolheu, convidando a todos para celebrar sua trajetória, com entrada gratuita durante todo o dia.
 

Sim, já faz dez anos em que a paisagem da Zona Portuária carioca mudou completamente, embora também paire a sensação de que aquela construção projetada por Santiago Calatrava sempre esteve ali. Hoje, não é possível imaginar o Rio sem seu museu mais emblemático, que já atraiu mais de 8 milhões de visitantes e se posiciona entre os mais frequentados da América Latina.
 

“Esse marco é uma amostra do acolhimento genuíno que o Museu recebeu por parte dos brasileiros e dos tantos turistas estrangeiros que aportaram aqui. E muito nos orgulha o fato de sermos um museu popular, frequentado por pessoas de todas as classes sociais, e por sermos a primeira experiência museal de muita gente. Por isso, não poderíamos comemorar essa década sem incluir nossos visitantes, e para eles preparamos uma programação especial que começa neste dia 17, o nosso aniversário, e segue ao longo de 2026”, antecipa Cristiano Vasconcelos, diretor do Museu.
 

Ele se refere à estreia da exposição “Oceano – O Mundo é um Arquipélago”, patrocinada pela Repsol e apoiada pela Fundação Grupo Boticário, que convida à reflexão sobre a vida marinha, suas inteligências e seus futuros possíveis. A mostra propõe uma jornada sensorial pelas profundezas dos mares, inspirando a imaginação para novos modos de relação entre sociedade e oceano. No dia 17, a entrada do Museu será gratuita, um presente oferecido por Santander, Shell, Vale, Motiva, IBM, TAG e Engie para os visitantes.
 

“Oceano – O Mundo é um Arquipélago” é a mais nova exposição temporária das mais de 60 já realizadas nestes dez anos; entre elas, grandes marcos da história do Museu do Amanhã como “Amazônia” (2022), de Sebastião Salgado; “O Poeta Voador: Santos Dumont” (2016), que apresentou uma réplica do avião 14 Bis; “Coronaceno: Reflexões em Tempos de Pandemia” (2021); e, em 2025, “Claudia Andujar e Seu Universo”, um recorte da obra de Claudia Andujar em diálogo com outros artistas, e “Água Pantanal Fogo”, de Lalo de Almeida e Luciano Candisani.

Na ocasião do aniversário, o Museu do Amanhã também apresenta gratuitamente ao público o resultado da primeira etapa da renovação de sua exposição permanente. Substituindo o espaço anteriormente conhecido como "Antropoceno" pela sala intitulada "Onde Estamos?", a área revitalizada apresenta um novo vídeo instalação, assinado pelo diretor Estevão Ciavatta Pantoja e oferece uma experiência imersiva sobre o tempo presente. A curadoria é de Fabio Scarano, Liana Brazil e Luís Roberto Oliveira.
 

“Onde Estamos?” - Crédito: Michel Almeida

 

Além da intensa agenda cultural, o Museu também foi movimentado ao longo desses dez anos por mais de mil atividades públicas que alcançaram cerca de 50 mil participantes diretos e por programas educativos contínuos que impactaram mais de 27 mil pessoas. Paralelamente, consolidou sua vocação como um espaço onde as discussões mais relevantes da atualidade acontecem, recebendo autoridades e personalidades de renome mundial em eventos como os do G20 e como o Prêmio Earthshot Prize, concedido pelo Príncipe William, do Reino Unido.
 

Com forte atuação na agenda climática, o Museu do Amanhã se tornou a sede de diversos projetos científicos, em destaque a Cátedra UNESCO de Alfabetização de Futuros – liderada pelo curador da instituição, o professor e ecólogo Fabio Scarano, considerado um dos cem cientistas mais relevantes do Brasil. A Cátedra tem papel estratégico na formação de capacidades para imaginar, antecipar e construir futuros desejáveis, conectando ciência, educação e cultura em iniciativas voltadas para os grandes desafios do século XXI. Outro destaque é o Mulheres na Ciência e na Inovação, que visa a equidade de gênero na produção científica e tecnológica.
 

Uma premissa do Museu é o diálogo constante com o território da Pequena África, onde se encontra. Por isso, desenvolve o Vizinhos do Amanhã, que se configura por uma série de projetos como o coral Uma Só Voz – formado pela população de rua da região – e o Entre Museus, que leva estudantes matriculados nas escolas próximas para um passeio pelos museus do centro do Rio. No dia 17, será inaugurada mais uma iniciativa relacionada ao território: uma instalação artística em forma de banco de praça, composta por azulejos produzidos por alunos das escolas públicas da região.
 

E do chão da Pequena África, o Museu partiu para voos internacionais. Seu caráter disruptivo o tornou uma referência mundial, inspirando outros museus e institutos de ciência e cultura ao redor do planeta. Hoje, é parte fundamental do FORMS (Futures-Oriented Museum Synergies), uma rede global de museus orientados para o futuro dentro da qual articula parcerias e trocas de experiências culturais, acadêmicas, e artísticas. Entre os membros do grupo, estão o museu Futurium, de Berlim, e o Museum Of The Future, de Dubai – ambos fundados após 2015.
 

A trajetória do Museu do Amanhã se confunde com a de Ricardo Piquet. O empresário esteve diretamente envolvido com o Museu desde sua concepção e acompanhou cada etapa de seu projeto de construção. Após a inauguração, já na diretoria-geral do idg - Instituto de Desenvolvimento e Gestão – a Organização Social que gere o Museu – vem estando à frente de um modelo de gestão inovador, que garante a sustentabilidade financeira do espaço por meio de uma receita mista, fruto da captação de recursos via Lei Rouanet, aportes pontuais da Prefeitura do Rio, patrocínios, locação para eventos e bilheteria.
 

Piquet relembra da alegria das grandes estreias e da superação do maior dos desafios que enfrentaram: quando a instituição teve que fechar as portas por conta da pandemia da covid-19. Ele comenta, com propriedade, sobre o que começou como uma proposta inusitada — um museu sobre futuros? — e que hoje se afirma como uma experiência amplamente bem-sucedida.
 

“Há 10 anos, quando inauguramos o Museu do Amanhã, assumimos o compromisso de ir além – e cumprimos. Hoje somos referência internacional em museus voltados para o futuro, com projetos que aproximam a população da comunidade científica e inspiram a construção de amanhãs mais sustentáveis. Acreditamos na cooperação, nas diversas expressões da inteligência e na cultura como forças de transformação social. Cada projeto é um compromisso com o presente e um investimento nos futuros que desejamos”, afirma Piquet. E que venham os futuros!


 

Nova exposição: a inteligência nas profundezas marinhas

A exposição “Oceano – O Mundo é um Arquipélago”, que estreia no aniversário de dez anos do Museu do Amanhã, em 17 de dezembro, nasce de uma premissa fundamental: a de que a vida, em todas as suas formas, é inteligente e que essa inteligência se manifesta também nas profundezas marinhas. A mostra revisita o oceano como origem da nossa existência, recuperando memórias imersivas que nos conectam ao momento em que os primeiros organismos transformaram o planeta e produziram o ar que respiramos. A jornada convida o visitante a experimentar essa ancestralidade por meio de ambientes sensoriais que simulam luz, textura e movimento das águas.
 

A mostra se desenvolve a partir dos eixos “Memória”, “Atenção” e “Antecipação”, alinhados aos Sete Princípios da Cultura Oceânica da UNESCO, que afirmam a existência de um único oceano global até sua influência decisiva no clima, na habitabilidade da Terra e na diversidade de ecossistemas. Esses princípios se materializam nas salas expositivas: em “Mergulho”, o público inicia a jornada em um ambiente que busca reativar no público memórias de origem e imersão. A sala é quase toda escura, com luz e imagem das águas vinda do alto, para dar a sensação de se estar embaixo d’água.
 

Já em “Vida”, o público encontra desde organismos microscópicos até espécies gigantes, como o esqueleto de orca de sete metros - cedido à exposição pelo Museu Nacional -, suspenso no salão principal acompanhado por projeções mapeadas da espécie; em “Borda”, o oceano é apresentado em estrutura no teto da sala como um sistema atento, sensível às pressões humanas, cujas respostas — como a elevação do nível do mar — revelam sua inteligência e agência ecológica.
 

O percurso culmina em “Arquipélago” e “Naufrágio”, espaços que articulam arte, ciência e imaginação para discutir a relação entre a humanidade e o oceano. Enquanto Arquipélago reúne obras contemporâneas que exploram as conexões culturais, simbólicas e afetivas com o mar — entendido como “hidrovia que nos une” em escala planetária —, Naufrágio apresenta um ambiente de instabilidade em que palavras emergem e desaparecem na espuma projetada sobre o piso, representando comportamentos coletivos que precisamos abandonar para construirmos futuros mais sustentáveis. A instalação “Travessia, esforço coletivo” encerra o circuito com a metáfora de que navegar por outros futuros é um gesto necessariamente compartilhado.
 

A exposição “Oceano – O Mundo é um Arquipélago” tem curadoria de Fabio Scarano, Camila Oliveira e Caetana Lara Resende.

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Crochê transforma rua histórica de Belém em galeria de arte

 


Maior exposição de crochê a céu aberto do Norte do país reúne 250 artesãs e valoriza o turismo e a cultura local 

          A travessa Ocidental do Mercado Francisco Bolonha, no coração do Ver-o-Peso, em Belém, recebe a maior exposição de crochê a céu aberto do Norte do Brasil. Com cerca de 70 metros de extensão, a Rua de Crochê será inteiramente coberta por um mosaico colorido formado por cerca de 1 mil squares (quadradinhos) de 50 por 50 centímetros, confeccionados por 250 artesãs e artesãos da região. A iniciativa é do Movimento Ver-A-Arte, criado pelo Armarinho Ponto Cheio, e conta com o apoio da administração municipal, do Sebrae Pará e da Círculo, referência nacional em fios para artesanato. 

          O projeto, que permanecerá em exibição até o fim do ano, ocupa um dos pontos turísticos mais emblemáticos da capital paraense. A travessa, localizada ao lado do mercado de carne do Ver-o-Peso, é diariamente visitada por moradores e turistas que buscam vivenciar a cultura local. A proposta da Rua de Crochê é ampliar esse contato, oferecendo uma experiência visual e afetiva que conecta tradição, criatividade e pertencimento. Após a realização da 30ª Conferência das Partes (COP30), o espaço será transformado em uma rua iluminada de Natal, reaproveitando a estrutura já instalada. 

          Mais de mil novelos da linha Cléa Duplo, produzidos com algodão 100% e ecologicamente sustentável, foram utilizados na confecção das peças. Cada square é único, feito à mão com dedicação e técnica por mulheres que encontraram no artesanato uma forma de expressão, renda e autonomia. A ação reforça o compromisso do Movimento Ver-A-Arte com a valorização do trabalho artesanal e com práticas sustentáveis, promovendo o reaproveitamento de materiais e o engajamento comunitário.  

          “O crochê é mais do que técnica, é afeto, é resistência. Ver essa rua se tornar uma galeria viva é uma forma de reconhecer o talento das artesãs e artesãos paraenses e mostrar ao mundo o que somos capazes de criar juntos”, afirma Patrícia Resque, idealizadora do projeto e responsável pelo Armarinho Ponto Cheio. 

          A Círculo, empresa parceira do projeto, destaca a importância de iniciativas que unem arte, cultura e impacto social. “O artesanato é uma linguagem que conecta pessoas, histórias e territórios. Estar presente em ações como essa, que valorizam o trabalho manual e promovem inclusão, é parte do nosso propósito como marca. A Rua de Crochê é um exemplo de como o fio pode entrelaçar sonhos e transformar espaços”, afirma o CEO da Círculo, Osni de Oliveira Junior

  

Arte que inspira e transforma 

          O Movimento Ver-A-Arte nasceu com o objetivo de levar o artesanato a novos espaços e incentivar o trabalho coletivo. A Rua de Crochê é uma das expressões mais potentes dessa missão, reunindo talento, apoio mútuo e paixão pela arte. A montagem do mosaico foi feita entre os dias 10 e 14 de novembro, com a presença das artesãs que participaram da criação das peças. A expectativa é que a exposição atraia visitantes de todo o Estado e se torne um marco cultural da cidade. 

 

domingo, 16 de novembro de 2025

Com sucessos que atravessam gerações, Benito di Paula se apresenta com o filho, Rodrigo Vellozo, no Sesc Guarulhos


 Nos dias 22 e 23 de novembro, Benito di Paula se apresenta no Sesc Guarulhos ao lado do seu filho Rodrigo Vellozo, cada um em um piano, num espetáculo que celebra o legado do samba paulista. O show é um mergulho em clássicos da música popular brasileira e na produção de Benito, ressignificados pela parceria com Vellozo. Intitulado "Dois Pianos", traz pai e filho dividindo histórias, melodias e memórias afetivas que atravessam gerações, com arranjos especialmente concebidos para o formato.

 

Natural de Nova Friburgo, Rio de Janeiro, o cantor, às vésperas de completar 84 anos, sobe ao palco da unidade Guarulhos credenciado pelas mais de 50 milhões de cópias vendidas durante a carreira que ultrapassa cinco décadas. Canções como “Retalhos de Cetim”, “Charlie Brown” e “Mulher Brasileira”, figuram de maneira incontornável na prateleira de sucessos do cancioneiro popular. Diante de tal trajetória, em 2025, Benito foi enredo da escola de Samba Águia de Ouro no Carnaval de São Paulo, reafirmando sua importância para a cultura do país.

 

Infalível Zen”, último álbum lançado em 2021, uma parceria entre pai e filho, renovou o fôlego e proporcionou conexão com novas gerações de fãs. Do jeito mais livre e “Benito” de ser, as 12 faixas reúnem composições inéditas fruto da inspiração e articulação entre o veterano e Rodrigo. Mais do que um show, o encontro representa o diálogo entre gerações, o respeito à ancestralidade e a força do samba como expressão artística e emocional. Rodrigo, que há anos trilha sua própria carreira na música, traz ao palco não apenas a herança do pai, mas também sua visão contemporânea do piano brasileiro, resultando em uma troca rica e cheia de nuances.

 

Ingressos à venda online através do app Credencial Sesc SP e da central de relacionamento digital. Presencialmente, nas bilheterias das unidades do Sesc.

 

SERVIÇO

Dia 22 e 23/11. Sábado, às 20h. Domingo, às 18h.

Sesc Guarulhos - R. Guilherme Lino dos Santos, 1200 – Jardim Flor do Campo

Local: Teatro. 349 lugares. Livre.

Ingressos: R$ 60,00 (inteira), R$ 30,00 (meia) R$ 18,00 (credencial plena)

App Credencial SESC SP, centralrelacionamento.sescsp.org.br e bilheteria das unidades

Duração: 90 minutos.

Acesso para pessoas com deficiência

Estacionamento - R$ 15,50 (não credenciados) R$ 8,50 (credenciados)
Paraciclo: Gratuito (É necessário trazer travas de seguranças). 248 vagas

Para informações sobre outras programações, acesse o portal Sesc Guarulhos 

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Festival Guriatã celebra a força das tradições nordestinas com olhar contemporâneo

 


Primeira edição acontece na Paraíba entre 14 e 16 de novembro, reunindo mestres, artistas e pensadores da cultura popular

A Paraíba se prepara para receber um dos encontros mais esperados do calendário cultural: o Festival Guriatã – Encontro de Cocos, Cirandas e Mazurcas, que acontece entre os dias 14 e 16 de novembro, no Espaço Energisa (João Pessoa) e na Fazenda Coração de Mãe (Conde). Idealizado por Zé Silva e com produção do Coletivo Estrela Dalva e B15 Arte, o festival nasce como um movimento de celebração e articulação das tradições nordestinas, com o propósito de acordar – e não resgatar – as brincadeiras que dão ritmo e sentido à cultura popular.

“Os últimos sete anos foram de luta por políticas públicas que valorizassem nossas tradições. Conquistamos uma data estadual, em 26 de julho, dia de Nossa Senhora de Santana, para celebrar o coco, a ciranda e a mazurca. Agora, o Guriatã surge para reunir mestres, dançantes e pesquisadores em torno desse mesmo propósito: manter vivas as raízes, sem que a cultura perca sua essência diante da lógica comercial”, explica Zé Silva, idealizador do festival.

Registradas como patrimônio imaterial da Paraíba desde 2021, essas manifestações representam o pulsar do Nordeste em sua forma mais genuína: o canto coletivo, a dança em roda, o encontro entre gerações e o aprendizado passado de corpo para corpo, de voz para voz. “Nosso objetivo é construir um espaço permanente de diálogo e visibilidade para quem faz e ensina essas tradições. Queremos que, no futuro, o coco, a ciranda e a mazurca também sejam reconhecidos pela UNESCO como Patrimônio Imaterial da Humanidade”, completa Zé Silva.

Zé acrescenta que em 2025, uma grande conquista aconteceu no movimento: foi criado o Dia Nacional dos Cocos, Cirandas e Mazurcas. “Esse foi um grande marco para todos nós. Além disso, o processo de reconhecimento como patrimônio imaterial pelo IPHAN está em andamento e toda essa movimentação e iniciativa tem partido da Paraíba”, diz.

A programação traz a nata da cultura popular nordestina: Samba de Coco Raízes de Arcoverde (PE), Mestre Zé Zuca e Caiana dos Crioulos (PB), Verdelinhos (AL), Samba de Parêia da Mussuca (SE), Mestre Bule-Bule (BA), além de grupos como Coco do CongoCiranda dos TupinambásCoco de IguapeCoco de ZambêMestre Inácio e as Ceguinhas de Campina Grande.

Além das apresentações, o público poderá participar de oficinas práticasrodas de conversa e vivências educativas que conectam arte, ancestralidade e território. Toda a programação será registrada em um documentário média-metragem, que pretende ampliar a difusão dessas manifestações e reforçar o turismo cultural nas comunidades envolvidas.

Para a B15 Arte, produtora do evento em parceria com o Coletivo Estrela Dalva, o Guriatã é mais do que um festival: é um espaço de escuta e reinvenção das tradições, um encontro entre mestres e novas expressões. “Nosso papel é potencializar essas vozes e construir pontes entre a cultura popular e as linguagens contemporâneas, com respeito, beleza e coerência estética”, afirma a equipe de curadoria da B15.

Festival Guriatã é uma realização de Zé Silva Arte e Cultura, com produção do Coletivo Estrela Dalva e da B15 Arte e apoio de parceiros locais e nacionais. O evento é aberto ao público e as inscrições para oficinas, rodas de conversa, credenciamento de expositores e camping estão disponíveis no site oficial: festivalguriata.com.

Data: 14 a 16 de novembro de 2025
Locais: Espaço Energisa – João Pessoa (PB) e Fazenda Coração de Mãe – Conde (PB)

Referências:
Dia Nacional dos Cocos, Cirandas e Mazurcas: https://www.gov.br/cultura/pt-br/assuntos/noticias/ministerio-da-cultura-celebra-criacao-do-dia-nacional-do-coco-de-roda-da-ciranda-e-da-mazurca

Processo de reconhecimento como patrimônio imaterial pelo IPHAN: https://www.gov.br/iphan/pt-br/assuntos/noticias/reunioes-estaduais-mobilizam-detentores-dos-cocos-do-nordeste


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